Poema: Amor Dantesco

•Outubro 7, 2009 • 34 Comentários

O Amor têm faces que até mesmo os homens negam!
O Peregrino observava um dos iluminados, um poeta, a escrever no papiro do vento, enquanto seus sentimentos tomavam forma, como num sonho etéreo e macabro. O Peregrino já conhecia as consequências do Amor, mas nunca havia visto tal demonstração daquela intensidade, que beirava a insanidade…
-Mas o que é o amor? senão algo sem fundamento e totalmente instável?
Um sentimento imprevisível e sem explicação e, que ainda assim, move a humanidade.

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Amor Dantesco

Desdenha o sangue na grossa escuma
Dançando entre a bruma no vale macabro,
Que cena dantesca arregala os olhos
Dos céus, com espanto, no solo sagrado!

Que dança e canta no ventre do abismo
Com mil gritarias num ode a loucura,
Que pena, que fardo, nos olhos tristonhos,
Até mesmo no inferno, há tais formosuras.

Da mente insana que mata crianças,
Das estrelas cadentes a sumir em brasas!
Da mão fria da morte a apagar a chama
Da vida que queima em poderosas asas!

Da chuva impiedosa do grande dilúvio,
De todas as pragas da humanidade!
Meu amor, por ti, é incerto e infundado,
E assim como a vida, é mentira, e verdade.

Leonardo Dognani
07/10/2009

Poema: Moribundo

•Maio 25, 2009 • 35 Comentários

“-Quem vem lá?
Trotando pesado como um peito enfurecido!
-Quem vem lá?
Trazendo um manto feito de pus e chagas!
-Quem vem lá?
Trazendo horror ao coração palpitante!”

O Peregrino apenas conseguia ver mais uma das raras chances de sua existência. Como um mito antigo, sem saber a origem ou a forma, mas que continua viva através das crendices da humanidade, sabia o peregrino que seria capaz de testemunhar tal acontecimento sublime e sempre surpreendente: A hora da morte de um poeta.

Era como uma grande peça, onde o poeta (dramaturgo,  ator e platéia) fizesse uma peça trágica, digna de Macbeth de Shakespeare! Nessa peça o Poeta sente cada ato e palavra, e no final, ele alcança a vera morte.

O fascínio do peregrino por tais seres, que embora humanos, tinham a percepção divina na Terra, era que cada morteera única, e nunca monótonas! os poetas eram como profetas malditos, que escreviam até mesmo o próprio nome no livro negro do destino.

Nessa noite, o Peregrino seguiu um desses poetas, que recitava seus últimos versos carnais:

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Moribundo

Os ventos cavalgam de forma sombria
Trazendo agonia nas selas escuras,
E como uma turba descontrolada
Eles dão gargalhadas nas trevas impuras.

Fantasmas medonhos da natureza,
Da cena dantesca que anuncia a vinda
Da musa vil que inspira o tormento
E a todo o momento se alimenta de vida.

Rainha da noite! Mãe dos poetas!
Que ao peito encerra nossa esperança
De caminhar em direção a velhice
Ditoso ou triste, em miséria ou bonança.

Morreremos sim na mocidade!
Na flor da idade ela vem nos buscar,
Nos chama do escuro com musica doce
A fim do açoite o abraço nos dar.

Que miséria meu Deus! Tal musa vil
Me leva ao covil onde dormem as caveiras!
A terra gelada de ar abafado
Com um leito talhado em escura madeira!

Trajando gravata e um terno soturno
Tal como um defunto olhando o luar,
E os vermes sedentos que anseiam meus ossos
Terão meus destroços em belo manjar.

Leonardo Dognani
01/04/2009

Poema: Diálogo com a Morte

•Dezembro 26, 2008 • 45 Comentários

O Peregrino estava estático! Olhou fixamente aquela cena e sabia que algo grande estava para ocorrer.
O homem que estava a escrever num papiro o fazia com um estranho ar. Não era um simples homem e nem mesmo um poeta, parecia ser um homem que estava além da condição humana, acima dos mortais! Era como se aquele corpo já não suportasse mais o seu espírito.
O Peregrino vendo aquele ser desperto, viu das sombras saindo uma divindade sob uma forma humana, mas sem rosto e com um grande manto negro. O homem percebeu sua chegada e acabou o que escrevia no papiro.
O Peregrino sabia que ambos fariam uma bela dança naquela noite, e que a sabedoria iria ser o objetivo.
O andarilho do vidro se pôs a observar atento, pois até mesmo uma simples palavra desse diálogo, poderia ter um grande peso para quem lesse nas entrelinhas!
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Diálogo com a Morte

Homem:
A última palavra foi escrita,
O papiro não mais me servirá!
O momento de minha ida
Sinto que está no ar.

Morte:
Aceitas bem a tua sina,
Não possui arrependimento?

Homem:
O único que eu tinha
Era de não aceitar este momento!

Morte:
Sabeis de onde vim?
Minha real identidade?

Homem:
Vens de antes da criação
De toda a humanidade.

Morte:
Sabeis onde estarei
Depois que tudo acabar?

Homem:
Esperando um novo mundo
Para então recomeçar!

Morte:
És um homem que conhece
Muito além do permitido!
Pelos olhos se percebe
Que conhece o seu destino.

A Gnose do caído
Resplandece em teu frontal!
És então um ser divino
Preso no corpo carnal.

Homem:
Sou um sábio nessa vida
A fazer o meu papel,
Sou aquele que ensina
Como levantar o véu.

Morte:
Não escolho, sou ligeira,
Passo bem veloz a foice!

Homem:
Não hesite, não demore,
Quero ir ind’essa noite!

Morte:
Por que queres tão depressa
Minha mão em teu coração?
As pessoas que te prezam
Tristes não ficarão?

Homem:
Quando vimos somos pranto
E de sorrisos é o mundo,
Quando vamos todos choram
E sorrimos no oculto.

Morte:
Não sabeis o que te espera
No momento de morrer!

Homem:
Não hesite, não demore,
Quero hoje perecer!

Morte:
Não te apressas, olha o fado
Dos mitos dos mortais!

Homem:
Se existe tais tormentos
Então existe os bacanais!

Morte:
E se ao passar-lhe a foice
For sofrimento a eternidade?

Homem:
O mistério não é doce,
É do universo a realidade!

Morte:
Não escolho, sou ligeira,
Sou mentira e sou verdade!
Seja virgem ou rameira,
Deixo todos na igualdade!

O meu toque não aquece!
Vou cumprir com tua sina!

Homem:
Não demore! Se apresse
Antes que apareça o dia!

Leonardo Dognani
24/12/2008

Poema: O Enterro

•Novembro 4, 2008 • 42 Comentários

E o som macabro de uma flauta era ouvida! Tocava com paixão e horror! um som ora belo, ora macabro, incitando todo o tipo de emoção enquanto se pronunciava dentre a chuva daquele cemitério.

E lá estava o Peregrino: Olhando debaixo da chuva aquele lúgubre enterro. Poucas pessoa haviam de fato, e ao que parecia eram amigos que foram tocados pela verdade das palavras daquele cadáver quando era vivo.

As gotas caiam pesadas, reproduzindo o som de marretas no asfalto quando tocavam a grama. Desciam do céu de forma pesada, como lágrima dos anjos, como os próprios anjos caindo do céu.

Os presentes não enxergavam que entre aquela chuva, havia uma figura macabra que estava com o coração do poeta num prato enquanto tocava uma flauta feita de osso. Parecia ser a morte, ou a mãe dos versos do cadáver. A criatura se deliciava com o coração, como se fosse a mais fina especiaria do mundo, e de fato, o era. Ao que parecia, conseguiam ouvir a fantástica melodia, mas apenas o Peregrino parecia enxergar nítido aquela entidade suprema.

Ninguém usava guarda-chuva. Todos estavam vestidos de forma sóbria e elegante, como pessoas fora de sua época. Havia um padre rezando algum rito que para todos os que ali estavam não importava nada. A chuva era sentida com seu peso, mais pesadas do que as lágrimas de Deus, mais pesadas do que a revolta do Diabo. Mais pesadas do que as palavras daquele cadáver que agora estava sem o seu brilho insano de suas prosas e versos! A chuva era sentida por todos, pois elas representavam cada verso e cada prosa, com todo seu frescor e frieza, com o peso de suas palavras.
Dessa vez, até mesmo o Peregrino sentiu a chuva com todo o peso das letras, e foi a primeira vez que viu tantos poetas reunidos sob o mesmo evento: A morte de um de seus iguais.

O Som da entidade tocando sua flauta continuava por todo o enterro, e apenas o peregrino conseguiu ver a criatura medonha, que a cada mordida que dava no coração do Poeta morto, mais bela e melancólica era sua música, e sabia os poetas, que até mesmo os vermes e a morte iriam se fartar no manjar de seus corpos e espíritos, pois os poetas, têm um sabor único nesse estranho paladar.

Até mesmo os Deuses anseiam pela arte que vem da alma humana.

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O Enterro do Poeta

Chora o bardo na alegria,
E o coveiro em gargalhada,
E o padre como a gralha
De obtusa nostalgia.

A carcaça jaz impura,
Com os vermes ansiosos
A devorá-lo até os ossos
Em formosa cabiúna.

Tão formosa, tão soturna
Que faz juz a sua fama,
De poeta qu’inda ama
Sua fantasia noturna.

Mas para que serve a cova
Tão sublime entre os prantos?
Seria então último canto?
Seria então úiltima prosa?

A morte – único verso!
Sem antes e sem depois,
As vezes une esses dois:
O Poeta e o Universo.

A Lenda ganha vida
mesmo escrevendo a morte,
Que no final é sua sorte,
O legado de sua sina.

Entoando aos sete ventos
Para o duro e frio corpo,
Os vermes para o morto
São invocados com lamentos.

Mesmo com podre carcaça,
E vermes a roer-lhe os ossos,
Diferente de outros corpos,
Sua alma é eternizada.

Leonardo Dognani
07/10/2008

Poema: O Vinho do Poeta

•Outubro 3, 2008 • 56 Comentários

E o Poeta tocava o Violino! – sons dos mais variados, e como uma tormenta que ao mesmo tempo inspira temor em alguns, também inspira excitação em outros!
O Poeta como o Fogo! – esse fogo que é pai e que é diabo! O fogo que aquece e que conforta, é o mesmo fogo que destrói e mata!

E lá estava o Poeta! tocando seu som da vida e da morte, do amor e do ódio, e de todos os opostos que nos fazem viver e morrer para todo o sempre!
Com seu violino em mãos – O qual tocava como se toca nas carnes de uma vírgem trêmula de prazer, e ao mesmo tempo como se tocasse na meretriz mais ousada e selvagem!
Fazia chorar o violino! – Eis que seu pranto era como o da virgem Maria pelo seu filho na cruz e como o pranto do osgasmo de um prostíbulo!

O Peregrino apenas observava a cena que era inebriante, que com ela criava formas e cores – tristes e felizes – de tal forma que o Peregrino entendeu sua sabedoria: Toda a criação e sua alma mais complexa: entendeu então que o Poeta falava do Vinho que estava em sua mesa: O vinho que alimentava seus sonhos e pesadelos, o Vinho que o fazia ver a realidade dos homens e do mundo: O Amor. Mas não do amor mundano, e sim de todas as suas formas, seja de anjo ou de demônio, o amor existe do céu ao inferno, e abraça todas as coisas indiscriminadamente! O Peregrino entendeu a sabedoria enquanto o poeta declamava:

O Vinho do Poeta

O Poeta é o diabo
Do terrível pecador,
Inebriante e tentador
Pelo próprio é inspirado!

Dessa marca peçonhenta
Tenho a bênção e a maldição,
Que é insenta da razão
Que o mundo não agüenta.

Como quem sente as loucuras
Toca a lira o menestrel!
Canta Hosana no bordel
E a prostituta nas alturas!

Ludibrio nobre e bispo
Para ter formosa virgem,
Que na cama vê a vertigem
D’um amor, sem compromisso!

Sabe bem na cruz o santo
O prazer de Madalena!
Só não imaginam a cena
Do casal no mesmo manto!

O poeta mostra o amor
Do celeste ao infernal!
Do lascivo ao virginal!
Da coragem e do temor.

Grite ao mundo as verdades
Das blasfêmias mais honestas!
Pois sabemos que são estas
Que nos trazem as vontades.

A vontade mais imunda
Que assim nos é desperta!
Como uma ferida aberta
-Rasga o peito, e não sutura!

O poeta, alma errante,
Vivo ou morto, não importa!
Seu poema e sua prosa
São o vinho inebriante!

Vinho esse que agüenta
Toda a era da escrita,
Seja morte e seja vida,
Seja sonho e tormenta!

De toda a criação
O poeta é o erro
Que insiste no apelo
De mostrar o coração!

Seja ele de virtudes,
Seja ele escuridão,
Do Diabo a expressão!
De Deus a plenitude.

O poeta é o descanso
Da mente inebriada,
Que entre sonhos vaga
Entre virgens e entre antros.

Não ha doses desse vinho
Que se possa definir,
Seria como consumir
O sentido do infinito.

Leonardo Dognani
25/09/2008

Poema: Inocência e Poesia

•Agosto 13, 2008 • 54 Comentários

O Peregrino estava em cima de um prédio na cidade. Quando se deparou com dois antônimos, ou “fases” como pensou propriamente. O primeiro: Uma criança brincando na Areia sem se importar com nada, criando seus próprios devaneios que pareciam ao certo maravilhosos, pois ela sorria em sua própria inocência. A outra ocorria num lado oposto, em um bordel não tão longe dali: Pessoas bêbadas e sujas e meretrizes para todos os lados. Duas realidades completamente diferentes, mas viu o Peregrino que não eram opostas, e sim, temporárias. A criança um dia estaria nesse antro próximo dali, e as pessoas do Bordel seriam outras. Então deveriam ser fases, e não realidades opostas, afinal, até mesmo o mais sujo dos humanos já viu o mundo com olhos de criança em meio a um devaneio angelical, para depois mergulhar de cabeça na realidade da Floresta de Concreto.

Então o Poeta mais uma vez fora avistado pelo Peregrino, só que dessa vez em cima de um prédio, com um papiro e pena nas mãos, olhando fixamente para a mesma situação que o Peregrino olhava. O Poeta escrevia dessa vez atuando não como um simples observador, mas como um Juiz da realidade, como uma macabra entidade da desgraça, consumindo o acaso e tramando o movimento da realidade.

I
Inocência

Uma Criança a brincar no parque
Com seu sorriso a reluzir o dia,
Inspiradora e linda a sua arte
Que com vontade ela fazia.

Deslizava o dedo na suave areia
Fazendo formas -Oh que virgindade!
Desenhava sol, lua, estrela,
-Explodia e ria de felicidade!

Criança bela de rara inocência
Pare o mundo com sua veêmencia,
Para olhar um único dia:

O seu sorriso e a sua verdade,
Sua brincadeira e a sua arte,
-Que em tudo enxerga a magia!

II
Poesia

Quando a treva cai no horizonte
Trazendo um horror ao coração,
Do lodo da vida surge então
Os vermes sujos que nos beijam a fronte!

Companheiros nossos da dura vida
Que nos mantém em estado são!
Mostre a criança, se deseja então,
A doença da mulher lasciva!

Mostre a prostituta e o vinho barato,
Mostre o lodo, o gozo, os ratos,
A piada esquizofrênica da vida!

O sorriso amarelo, a maldade,
O açoite, a doença e a arte
De matar o amor: Poesia!

Leonardo Dognani
15/01/2006

Poema: O Alento do Poeta

•Julho 23, 2008 • 43 Comentários

Será que as pessoas enxergam a realidade?
Será que elas enxergam só o que elas vivem?
Será que elas vivem?

O Peregrino já sabia da resposta quando se deparou com um poeta familiar. Antes de se aproximar o peregrino percebe que o Poeta está observando algo, atento, em meio a multidão da rua suja e escura.
O Peregrino acompanhou a direção de seus olhos e constatou um homem passando mal no meio da rua, com poucas pessoas que se colocaram a olhar enquanto outras pediam ajuda. O homem era um executivo comum e parecia estar tendo um ataque cardíaco. O Peregrino apenas observava calmamente quando viu algo saindo da parede e enfiando a mão em seu peito, parecendo como uma outra pessoa com chifres, talvez um demônio. O Peregrino viu o homem desmaiando enquanto o demônio tentava lhe puxar a vida, e apenas ele e o Poeta estavam vendo aquela realidade.
O Peregrino viu os olhos daquele demônio que fitaram os seus, e pôde sentir as tentações e os devaneios, a loucura que conseguia entender e compreendia ser verdade, e sabia que o poeta entendia seus pensamentos. O homem que havia desmaiado estava morto, e o demônio apenas olhava o Poeta e o Peregrino se aproximando.
Nesse momento, o Poeta acende um candelabro e se pôe a escrever com o demônio a observar atento, como se cada palavra fosse o seu maior deleite.
O Peregrino apenas observava de perto.

O Alento do Poeta

Sinto n’alma de repente
Um alento áspero e frio
Como o rastejar sombrio
De peçonhenta serpente!

Como um poeta moribundo
Que versa para o vento,
Sem ser em algum momento
Enxergado pelo mundo!

D’onde vem esse mistério
Que meu peito a suspirar
Como um poeta a versar
Num tácito cemitério?

Por que essa musa Vil
Se deleita com o tormento?
Meretriz que bebe o alento
Em libertino covil!

Nos sonhos danço com os anjos
Em vida com demônios eu verso!
Como quem vive controverso
Entre amarelas risadas e prantos!

Pranto do Prazer proibido
Como a maçã dos ancestrais,
Dos segredos infernais
Que carregamos na libido!

Os olhos da serpente
Dão-me forças para o vinho
Que me guia no caminho
Do amor inconseqüente!

E criando o devaneio,
-que é retrato dessa vida!
Como quem vive a agonia,
-do eterno pesadelo!

Já dizia a grande mente:
Que todo grande mortal
É incompreendido no final
De sua vida demente!

Leonardo Dognani
23/07/2008

Poema: Assombrado

•Julho 15, 2008 • 40 Comentários

O que se passa na mente das pessoas que enxergam um mundo além da realidade?
Loucas, insanas, vivas ou mortas? Até onde pode ir a loucura da mente?

O peregrino observou um homem comum saindo de um prédio abandonado. Estava coberto de sangue e seu ar era de satisfação, de modo que seus olhos transmitiram sua loucura assim que seu olhar e a do peregrino se cruzaram, embora o homem estivesse sereno, seus olhos diziam o quanto gritavam em sua carne de maneira bruta e desesperada.
O homem se foi entre a selva de concreto, e o peregrino entrou no prédio afim de ver sua obra.
Lá pôde ver um corpo de uma jovem, parecendo a vênus de Milo, só que além dos braços, estava também sem as pernas e a cabeça, e com adornos e cortes que fariam um Cenobita deleita-se em contemplação.
O peregrino então percebeu que se tratava de uma espécie criada pela sociedade e pela mente humana, um tipo de loucura e uma crença ferrenha em fazer algo com extrema satisfação. Não era um simples assassinato, mas uma mensagem clara aos próprios fantasmas daquele homem.

Assombrado

Olhe a Face! Essa sombra
Que Boiando no Estige,
Inda grita em desespero
Por alguém que não existe!

Tu me assombras, és fantasma
Que me assola o dia escuro,
Dessa vez tu não me escapas!
-Sentirás meu sorpo impuro!

De minha vida injustiçada
Te darei minha salvação!
Carregarás em teu cadáver
No teu corpo a violação!

Olhe a face! de teus olhos
Faz chover nesse ambiente!
De suas carnes chove o sangue
E lhe deixo minha semente!

Se está morta, ou se está viva,
Não me importa no momento!
Quero em ti a agonia
Dos meus longos sofrimentos!

Olhe a face! Essa besta
Que lhe enforca com temor!
Que corta e rasga o teu corpo
Como um nobre escultor.

De seus seios pego a vida
Onde o feto se alimenta!
Quero ter o meu descanso,
Não aguento esta tormenta!

O teu corpo é a mensagem
Para todos seus iguais!
Já te matei tem tantas vezes,
-Morrerá outra vez mais!

Leonardo Dognani
03/07/2008

Poema: Jardim do Éden

•Julho 4, 2008 • 51 Comentários

Será que a beleza e a felicidade são provas da realidade?
Ou seriam apenas mais um tipo de ilusão?
Anjos e Demônios nem sempre são antônimos.

 

Jardim do Éden

Cantando e dançando dentre as flores do Jardim,
Sem início e sem fim, sem medo e sem pranto,
Avisto um grande manto, branco como marfim,
Vejo dos céus descendo um anjo, formoso serafim.

Para ele vou correndo, bem ditoso e confiante,
Sem hesitar nenhum instante, para o belo ser descendo.
Com amor eu fui tremendo para o ser que serve O Grande,
Quando cheguei, vi num momento, que su’alma era vibrante!

Tinha Asas branco fogo, como uma luz se consumindo,
Olhou-me, o ser divino, com os olhos de um lobo!
O seu corpo iluminado atiçava minha libido,
Como um gozo, no inferno, eu havia me sentido!

“-Por que eu, mero sujeito, de simples felicidade,
Sem tristeza e sem maldade, sou tentado desse jeito?
Em meu peito tenho a fé, da mais pura verdade,
Com luz não quero feitos, nem os segredos da humanidade!”

Pensei que verdade havia, no peso de minha palavra,
Mas fora da minha jornada, enxerguei que era mentira.
De forma bem sinistra ouvi uma gargalhada:
O meu anjo, meu demônio, apontava para a estrada.

Vi que o Portador da Luz era meu guia, finalmente!
Que desde a semente, minha vida ele conduz.
Só me mostrou a cruz da jornada a minha frente,
Do falso ouro que reluz, do Jardim que engana a mente.

Leonardo Dognani
24/06/2008

Poema: A Criança no Lago

•Março 17, 2008 • 41 Comentários

O Peregrino, olhando apenas para uma paisagem com ausência de concreto e vidro, viu uma cena curiosa: Uma pequena criança brincando em um lago, na mais pura natureza.

O Peregrino Resolveu observar a criança tão pequena a brincar em uma floresta que considerava tão real quanto a de concreto, porém, com habitat trocado. Não interferiu em nada para poder tirar uma lição dessa história com início, meio e fim.

O Céu escuro a sua volta dava um que de beleza e a certeza de que teria um simples final.

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A Criança no Lago

Mas que linda criança a beira do lago
Que vê os peixinhos e vai se encantando,
Eles brincam e nadam e nadam brincando,
Se sente excitada no mundo encantado.

Os olhos redondos de pura inocência,
As mãos bem gordinhas de pele corada,
As pernas pequenas a andar na água
Sem jeito, sem força nas pernas pequenas.

Indo decidida aos filhos da água,
Sob as nuvens cinzas a dar testemunho,
A criança inocente não hesita um minuto
Avançar bravamente em sua doce saga.

Seguindo os peixes em cores brilhantes,
Cada vez mais adentrando o lago,
A criança inocente concluiu o fato
Que quanto mais entra, mais é confiante.

Quando não conseguia mais ver os peixes
Na água clara que agora era escura,
Sua confiança sumira de maneira bruta
Pôs-se a chorar sem nenhum deleite.

Queria o céu nao testemunhar com seu manto,
Tal sina cruel e da verdade do mundo,
Que sem ambição, sem esquema imundo,
Como o lago engoliu a criança e seu pranto.

 Leonardo Dognani
17/03/2008