Poema: O Enterro

E o som macabro de uma flauta era ouvida! Tocava com paixão e horror! um som ora belo, ora macabro, incitando todo o tipo de emoção enquanto se pronunciava dentre a chuva daquele cemitério.

E lá estava o Peregrino: Olhando debaixo da chuva aquele lúgubre enterro. Poucas pessoa haviam de fato, e ao que parecia eram amigos que foram tocados pela verdade das palavras daquele cadáver quando era vivo.

As gotas caiam pesadas, reproduzindo o som de marretas no asfalto quando tocavam a grama. Desciam do céu de forma pesada, como lágrima dos anjos, como os próprios anjos caindo do céu.

Os presentes não enxergavam que entre aquela chuva, havia uma figura macabra que estava com o coração do poeta num prato enquanto tocava uma flauta feita de osso. Parecia ser a morte, ou a mãe dos versos do cadáver. A criatura se deliciava com o coração, como se fosse a mais fina especiaria do mundo, e de fato, o era. Ao que parecia, conseguiam ouvir a fantástica melodia, mas apenas o Peregrino parecia enxergar nítido aquela entidade suprema.

Ninguém usava guarda-chuva. Todos estavam vestidos de forma sóbria e elegante, como pessoas fora de sua época. Havia um padre rezando algum rito que para todos os que ali estavam não importava nada. A chuva era sentida com seu peso, mais pesadas do que as lágrimas de Deus, mais pesadas do que a revolta do Diabo. Mais pesadas do que as palavras daquele cadáver que agora estava sem o seu brilho insano de suas prosas e versos! A chuva era sentida por todos, pois elas representavam cada verso e cada prosa, com todo seu frescor e frieza, com o peso de suas palavras.
Dessa vez, até mesmo o Peregrino sentiu a chuva com todo o peso das letras, e foi a primeira vez que viu tantos poetas reunidos sob o mesmo evento: A morte de um de seus iguais.

O Som da entidade tocando sua flauta continuava por todo o enterro, e apenas o peregrino conseguiu ver a criatura medonha, que a cada mordida que dava no coração do Poeta morto, mais bela e melancólica era sua música, e sabia os poetas, que até mesmo os vermes e a morte iriam se fartar no manjar de seus corpos e espíritos, pois os poetas, têm um sabor único nesse estranho paladar.

Até mesmo os Deuses anseiam pela arte que vem da alma humana.

morte25

O Enterro do Poeta

Chora o bardo na alegria,
E o coveiro em gargalhada,
E o padre como a gralha
De obtusa nostalgia.

A carcaça jaz impura,
Com os vermes ansiosos
A devorá-lo até os ossos
Em formosa cabiúna.

Tão formosa, tão soturna
Que faz juz a sua fama,
De poeta qu’inda ama
Sua fantasia noturna.

Mas para que serve a cova
Tão sublime entre os prantos?
Seria então último canto?
Seria então úiltima prosa?

A morte – único verso!
Sem antes e sem depois,
As vezes une esses dois:
O Poeta e o Universo.

A Lenda ganha vida
mesmo escrevendo a morte,
Que no final é sua sorte,
O legado de sua sina.

Entoando aos sete ventos
Para o duro e frio corpo,
Os vermes para o morto
São invocados com lamentos.

Mesmo com podre carcaça,
E vermes a roer-lhe os ossos,
Diferente de outros corpos,
Sua alma é eternizada.

Leonardo Dognani
07/10/2008

~ por Leonardo Dognani em Novembro 4, 2008.

42 Respostas to “Poema: O Enterro”

  1. Seeeeeeeeei, som macabro da flauta, né? Senti que foi uma indireta, heim! Só pq me viu tocando tão bem.. pra não dizer o contrário. ahahahahaha

    bjo. Leooooooo um grande escritor romantico!

  2. muito bom, e que sede de poeta esse ai estava, talvez pq nesse mundo existam poucos que possam saber se expressar através da poesia.

  3. meu eu adorei seu texto!
    tipo num tenho nem o q falar…
    li alguns textos hj mais o seu com toda certeza foi o melhor até agora Parabens de verdade cara!

  4. ps.: teu blog vai para os favoritos do meu blog ^^

  5. o bem e o mal :)

  6. Gosto de como tu expressa os torpores da alma em poesias… Meio sinistro, mas bem legal!

  7. Gostei muito das palavras, dos versos. Da dualidade.

    Beijos, :*

  8. Quem toca a flauta não é a carcaça, mas a alma

  9. Construir uma poesia é tão interessante, as palavras se unem de fato para cantar, se unem para transmitir uma mensagem em forma de música… E uma poesia macabra é tão interessante quanto algumas loucuras inexplicaveis da vida.
    Um abraço!

  10. Adoro este tipo de poesia, nada de batatinha quando nasce…

    beijos !!!

  11. Leonardo, vou te dar uma dica, pq os teus poemas são ótimos. Vc conhece o Plínio Zúnica, do Prozac Zone (www.prozaczone.com.br)? Ele trabalha na Secretaria de Cultura de SP e, se não me engano, com produção cultural voltada para a poesia. Parece que garimpa novos poetas, etc. Passa lá no Prozac e fala com ele, ele é gente boa, acho que pode, inclusive, te dar boas dicas sobre temas afins. Não deixe de fazer isso.
    Beijos pra vc!

  12. Nossa ficamos lisongedos com tua visita ao nosso blog… muito obrigado… Seu blog simplismente muito bom …Escrita simples com beleza em cada palavras…

    Abraços

    http://uniaodepalavras.blogspot.com/

  13. Vc me surpreeende .. adoro as sua poesias .. e faz viajar .. rsrs
    e essa não foi diferente ..

    parabéns.. vc tem o dom ..

    Bjs

  14. Se ve boa qualidade literária em seus textos.

    Continue nesse caminho. Um futuro promissor pode espera-lo.

  15. Parabens!

  16. Nossa
    Owww… arrasou no poema
    muuuitooo bom!

  17. pra mim viver como poeta e morrer como vilão é ao menos sem sentido;
    se for pra ser assim prefiro viver como vilao e morrer como herói;
    pois o fato de agm ser admirado por ser poeta hoje em dia, nem acontece mais com tanta frequencia…

  18. eu realmente entendi tudo que voce disse;
    creio que voce nao cairia no esquecimento;
    ou eu posso estar enganado :s
    porqueas as pessoas hoje em dia gostam muito de ler poemas bunitinhos copiar e colar na legenda de alguma foto no orkut;¬
    mais elas muitas vezes nem se importam em saber o que levou agm a dizer tudo aquilo;
    até q chega um dia q ela acha um poema melhor e coloca no lugar do outro que um dia fez sentido aos sentimentos dela…

  19. Pessoalmente, não gosto do estilo gótico simbolista decadentista e era com grande dificuldade que eu estudava isso em literatura na faculdade, mas reconheço que tem o seu valor.
    Você usa bem as palavras nesse estilo.. imagino que deve ser fã de carteirinha de Poe, Baudelaire, Stocker e mais recente, Stephen King e compania..
    Não curto, mas ficou um texto de boa qualidade.

  20. Muito legal!
    Poucas vezes li poemas nesse estilo, gostei bastante!

  21. Confesso que não sei comentar poemas.
    Mas não poderia deixar de dizer que você ganhou minha admiração.
    Saudações!

  22. Blog estiloso, gostei de ver, fonte, layout, poemas… tudo junto e combinando… bem legal!!!

  23. “O poeta não morreu, foi ao inferno e voltou.
    Conheceu os jardins do Éden e nos contou” Frejat em homenagem a Cazuza. É mais ou menos na linha do seu poema.

  24. As gotas caiam pesadas, reproduzindo o som de marretas no asfalto quando tocavam a grama. Desciam do céu de forma pesada, como lágrima dos anjos, como os próprios anjos caindo do céu.

    enterro sem chuva não é enterro meu irmão…

    “obscuro blog”

  25. Estou até agora assustado.
    Lendo o texto eu consegui desenhar na mente a imagem desse funeral.
    Sua riqueza é de uma preciosidade literária impressionante.
    Pode me avisar quando for lançar seu livro para eu comprar?
    Porque temos aqui um exelente escritor.

  26. Perfeito poema!
    Os poetas são imortais mesmo!

  27. Muito bom!
    Adorei mesmo o post, imaginei a cena
    Parabéns pelo blog.
    Até mais!

  28. Sinceramente cara, analisar poesia está longe de ser o meu forte…
    e se é válido uma crítica de um insensível como eu, posso dizer que está legal… rs

    seu blog está muito bonito…

    depois dê uma passada no meu…
    abrass

    http://www.emeireles.blogspot.com

  29. Mentira, deuses ne tchun.

  30. Muito bom seu blog!
    Parabéns!

  31. Confesso que quando comecei a ler pensei que fosse de um autor famoso , sei lá ; mas quando vi seu nome no fim me surpreendi .
    Muito boa a sua leitura . Subentendida , misteriosa – as vezes sombria –

    Parabéns .

  32. Olá achei o um pouco forte o seu texto… mas muito bom adorei
    passa lá no meu blog e veja “A acepção das palavras”

  33. Achei muito profunda essa poesia.

  34. Heyyyyyyyyy!!

    Retornei!=DD
    E vc, cm sempre, com seus textos maravilhosos!! Estava com saudade de vir aqui!=]

    —————————————–
    Olá! O Endereço do Blog Manufatura-Nova agora tem um “tracinho” no meio! ;) Acesse:
    http://manufatura-nova.blogspot.com/

  35. Olá!

    A LivroPronto Editora convida você, autor, para uma conversa sobre a publicação de sua obra.

    Escreva para nós!
    gabriela@livropronto.com.br

    Um grande abraço!

  36. Eu tenho que confessar que sou um ignorante nesses negócios literários de poemas e poesias se é que tem alguma diferença. Talvez por isso prefira ficar com meus humorísticos mesmo.

  37. O texto, confesso, very gotic! Mas, p-q-p FANTÁSTICO!

  38. esse post está muito bom e sempre coerente com a temática do blog! um abraço

  39. Bem macabro tambem esse poema, mas legal.

    Grande abraço

    http://ccdodia.blogspot.com/

  40. Eu achei muito bom.
    Sinistro mas é essa a intenção do Blog imagino, o clima todo aqui faz a gente sentir isso.
    E que foto hein, deu um pouco de medo, rs……

  41. Poetas tem sim, um estranho sabor… Mas não apenas para os vermes, mas tb para si mesmos… Afinal, nós não devoramos nossos corações, dia após dia, na angustia de continuar vivendo, sem jamais desistir?

    Adorei seu blog! Passa no meu, acho que vc vai gostar (pelo menos dos textos mais antigos!)

    L.

  42. krak.. ai meio macrabro..
    mas eu gostei…
    seu blog ta bem legal…
    se eu tivese um selo conserteza vc ganharia..rssr
    bjoss

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