Poema: Diálogo com a Morte

O Peregrino estava estático! Olhou fixamente aquela cena e sabia que algo grande estava para ocorrer.
O homem que estava a escrever num papiro o fazia com um estranho ar. Não era um simples homem e nem mesmo um poeta, parecia ser um homem que estava além da condição humana, acima dos mortais! Era como se aquele corpo já não suportasse mais o seu espírito.
O Peregrino vendo aquele ser desperto, viu das sombras saindo uma divindade sob uma forma humana, mas sem rosto e com um grande manto negro. O homem percebeu sua chegada e acabou o que escrevia no papiro.
O Peregrino sabia que ambos fariam uma bela dança naquela noite, e que a sabedoria iria ser o objetivo.
O andarilho do vidro se pôs a observar atento, pois até mesmo uma simples palavra desse diálogo, poderia ter um grande peso para quem lesse nas entrelinhas!
a-morte

Diálogo com a Morte

Homem:
A última palavra foi escrita,
O papiro não mais me servirá!
O momento de minha ida
Sinto que está no ar.

Morte:
Aceitas bem a tua sina,
Não possui arrependimento?

Homem:
O único que eu tinha
Era de não aceitar este momento!

Morte:
Sabeis de onde vim?
Minha real identidade?

Homem:
Vens de antes da criação
De toda a humanidade.

Morte:
Sabeis onde estarei
Depois que tudo acabar?

Homem:
Esperando um novo mundo
Para então recomeçar!

Morte:
És um homem que conhece
Muito além do permitido!
Pelos olhos se percebe
Que conhece o seu destino.

A Gnose do caído
Resplandece em teu frontal!
És então um ser divino
Preso no corpo carnal.

Homem:
Sou um sábio nessa vida
A fazer o meu papel,
Sou aquele que ensina
Como levantar o véu.

Morte:
Não escolho, sou ligeira,
Passo bem veloz a foice!

Homem:
Não hesite, não demore,
Quero ir ind’essa noite!

Morte:
Por que queres tão depressa
Minha mão em teu coração?
As pessoas que te prezam
Tristes não ficarão?

Homem:
Quando vimos somos pranto
E de sorrisos é o mundo,
Quando vamos todos choram
E sorrimos no oculto.

Morte:
Não sabeis o que te espera
No momento de morrer!

Homem:
Não hesite, não demore,
Quero hoje perecer!

Morte:
Não te apressas, olha o fado
Dos mitos dos mortais!

Homem:
Se existe tais tormentos
Então existe os bacanais!

Morte:
E se ao passar-lhe a foice
For sofrimento a eternidade?

Homem:
O mistério não é doce,
É do universo a realidade!

Morte:
Não escolho, sou ligeira,
Sou mentira e sou verdade!
Seja virgem ou rameira,
Deixo todos na igualdade!

O meu toque não aquece!
Vou cumprir com tua sina!

Homem:
Não demore! Se apresse
Antes que apareça o dia!

Leonardo Dognani
24/12/2008

~ por Leonardo Dognani em Dezembro 26, 2008.

45 Respostas to “Poema: Diálogo com a Morte”

  1. Parabéns,você é muito talentoso!!!
    Ficou perfeito,irei acompanhar seu blog!!!

    Caso queira me visitar:
    http://oitentado.blogspot.com/

    abraço!

  2. Achei super maneiro seu blog, isso não é papo de quem não tem nada para comentar, sempre gostei de blogs assim.

    http://www.olhaquemaneiro.com.br

  3. dialogo com a morte…dialogo com a morte…ela conversa com a gente todo o dia e toda a hora de maneira a nao sabermos quando ela vira…bom texto…atraente. abraço.

  4. Cara gostei do teu texto e do teu blog,precisamos de algo assim no nosso dia a dia. Parabéns

    Acesse: http://www.habibsarquis.wordpress.com

  5. legal
    parabens pelo blog

    abraços

  6. Muito legal o diálogo. As vezes soa como cordel…

  7. Nossa, confesso que fiquei chocada com o poema.
    Não por falar da morte, mais por ser bom e realista com a morte, muito bom Leonardo. Vamos escrever um livro?!
    Abraço.
    Gostei de tudo :D

  8. Muito intenso. Perdão, acho que essa não é a palavra. Não sei bem como definir. Eu gostei, gosto de poemas que me deixam sem palavras. Poemas não devem, necessáriamente ser discutidos ou ajudar a formar uma opnião, como os romances e outros textos. Poemas devem ter o poder de levar o leitor a pensar mesmo que não possa falar a respeito. Gostei mesmo. Parabéns.

  9. Nossa. Tratando de algo tão forte como morte de modo tão profundo. Gostei.

    http://quartodealuguel.blogspot.com/

  10. Conto legal, falando com a morte!

  11. muito bom esse poema, eu fico imaginando é se n existir-se morte para a pessoa e n para todos os outros o sofrimento deveria ser maior

  12. Rapaz…
    gostei do poema…

    Muito intenso…
    Me lembra os antigos cordeis…
    abraços…

    http://igorleon-artes.blogspot.com/

  13. Olá muito bom adorei tano que add em favoritos para depois ler e reler. Acho que é a primeira vez que passo aqui se lembra eu volto :)

    http://visaocontraria.blogspot.com/

    Um ótimo final de ano

  14. adorei adorei adorei !

    =]

    http://opniaoinutil.blogspot.com/

  15. E a morte lhe deu um fim?

    Sábio este homem que não teme a morte.

    Homem:
    Quando vimos somos pranto
    E de sorrisos é o mundo,
    Quando vamos todos choram
    E sorrimos no oculto.

    Gostei muito desta parte que mostra os contrastes do nascimento e da morte. É como se tirássemos um fardo…

    Beijos!
    =*

  16. Gosteiiiiii !
    Muito bom !

  17. natal p/ mim smpre foi sem graça, esse até que não foi tanto, mas ano passado foi um horror…huahauha, no ano passado, eu passei o nata dormindo hahaha

    _*

    eu já tinha visitado o seu blog antes mas nunca tinha comentado…ele me dá medo

    hahaahaha

    Beijos ;*

  18. huum…muito dark pro meu gosto

  19. O texto é bem complexo, mas eu não acho que haja diálogo com a morte, ela é sempre imperativa. Essa simbologia que vc usa deve ter algo a ver com perdas, acho.

  20. Você tem muito talento, aposte no seu dom, rapaz!
    Sempre que paro pra ler algo aqui eu fico pensativo…

    Abração

  21. Gostei imensamente…
    encaro a morte com naturalidade, pra mim, significa apenas uma passagem para outra vida. Vc tem o dom de escrever, fiquei com pena quando o texto terminou, queria que tivesse continuação, de tão bom que achei!!!parabens

  22. bem forte, gostei muito da linguagem que vc utilizou!
    um abs

  23. fica uma sugestao: dialogo com a vida…por que ela tao cinica, por que ela favorece os ladroes…com a vida nos podemos brigar e brigar com a morte é utopia e utopias sao utopias.

  24. outra dica: a morte vem buscar a propria morte???^????
    numa inversao de valores e da falta deles???pensa nisso. grande abraço!!!

  25. Muito bonito, um homem com a sabedoria alé do comum.

    Grande abraço

    http://ccdodia.blogspot.com/

  26. Caraca, to surpreso com a qualidade visual do seu blog, sério, arrebenta!
    Quanto ao post serei sinceiro, muito grande passei longe.

    Abraços.

  27. oh… txt magnifico homem
    senti um frio na espinha! rsrsrs
    parabéns!

  28. Muito bacana, mas meio sinistro! :) eu gosto de coisas medonhas.

  29. Adorei o poema,a forma como a morte é apresentada é muito interessante, assim como as rimas, gostei muito.
    Abraçoss

  30. “FRAGMENTOS DA FLORESTA DE CONCRETO”

    Cara, isso já me da uma impressão oposta ao que costumo pensar. na verdade sou das coxilhas rio-grandenses, mas atualmente vivo em São Paulo. Acho que estou acostumado a ter o campoe a metrópole bem dentro de mim.

    Agora, o que me chamou atenção no teu blogfoi a ilustração. sou professor de História, e, embora eu não curta muito o período medieval, tua imagem me remeteu exatamente à este período. A imagem é demasiada forte, e fia uma leitura bastante pitoresca, da a impressão que a morte faz o papel de patrona, ou mesmo de uma divindade do sagrado feminino – muito cultuada na idade média pelos pagãos opositires do cristianismo – que está sendo cultuada. Também tive esta impressão porque o lado do rio que a ação está se dando está totalmente seca, enquanto o outro lado está cheio de montanhas que aparentam estarem muito bem no quesito “vida”, “vegetação”, etc.

    Bom, não sei se era esta a ideia principal, da tua ilustração, acho mesmo que eu dei uma tri viajada. Mas é isso aí, belo trabalho.

    Se puder, faça uma visita lá no mru blog, estou começando agora, ainda me falta prática, mas tu é bem vindo lá.

    http://cambaratricolor.blogspot.com/

  31. cara, demais…eu raramente leio posts grandes mas quando comecei a ler o seu não parei até chegar ao final…

    muito, muito bom mesmo esse post…

    Feliz 2009 e muita sorte e prosperidade

    http://paranoiaelucidez.blogspot.com/

    Participando do TOP 30, se vc curtir o blog e quiser colaborar é só VOTAR clicando na imagem top 30 o,Ó

  32. Lindas palavras! Uma beleza intocável;)

    Beijos e otimo ano pra ti!
    http://suzymacedo.blogspot.com

  33. Vc usa bem, Leonardo, o clichê do enfrentamento homem / morte, inevitável. A estrutura dramática – em diálogos – ficou boa, e tinha tudo para não ficar, já que vc se preocupou com a métrica e com as rimas.
    Mas vc se deu bem.
    E ainda por cima transgrediu a idéia de que a morte é rechaçada por aquele a quem ela vem buscar. Vc inverteu tudo.
    Valeu.
    Abraço e bom 2009!

  34. Olá…
    Ao retornar por aqui, na Senda da Iniciação, surpreso fico com o encontro surreal com o Arcano 13, a Morte, ceifadeira como deve Ser… Com seu dever e devir histórico de contrariar a vida, os homens… Na Prosa Poéica ela vai fluindo, reunindo linhas da iniciação, da da linha da vida – da palma da mão – certeza futura e inevitavél de que um dia o encontro acontecerá… Lembrei de Ingmar Bergman – O Sétimo Selo…
    Abraços Saudosos
    Everaldo ygor

  35. Filhote…

    Arrepiei de tão lindo!
    Posso postar no meu blog tmb? ADOREI

    Nuss… sabia que vc escreveu isso em 26/12 e esta data é sagrada pr’aquele SER Paradoxal que conversavamos a pouco… hehehe

  36. Hey baby! Já que você me intimou estou aqui a comentar heuhauhauaha

    Pois é aquele faq ainda é do tempo que eu não tinha chutado o balde kkkkkkkkkkkkkkkkk. Hoje em dia eu não explico mais nada pra ninguém, não tem mais tesão pra ensinar saka?! Revoltei heuhahaha

    Quanto ao site…poxa me chama sim. Eu sozinha tenho síndrome de preguiça aguda conhece essa doença? kkkkkkkkkkkkkkk

  37. Como eu amo essa imagem *.*

  38. Muito bom. Excelente, na verdade. De alguma forma me remete tanto a O Sétimo Selo quanto a O Auto da Barca do Inferno. Parabéns!

  39. Nhaaaa!! Me amarrei no diálogo! xD
    Show de bola!
    Beijinhuss!!

  40. Nossa seus textos são todos sinistros. Vish! hehehe

  41. Cara, eu queria poder falar mais do que eu vou falar agora, mas seus poemas me inspiram, e orgulham (y)
    Um Alan Poe brasileiro, que beleza (é, eu realmente queria algo melhor pra falar agora) (Nem sei porque te comparei com ele, pra falar a verdade).
    Bom, mais uma vez eu fiquei intrigado (ontem, quando eu dei uma passada rápida, eu ja me interessei por esse post por causa da ilustração – que deve ter vindo de um tarot de certo /disse o cigano; então hoje ja vim mirado nele), e mais uma vez admirado com o poder que você tem sobre as palavras (ou o contrário, ou algo meio mútuo), de qualquer maneira, adorei – de novo. No começo estranhei o “Sinto que está no ar.” E não me pergunte porque, talvez seja porque algum pedaço do meu cérebro esperava algum verso mais ‘medieval’(não é a palavra certa), e não algo que eu use com muita frequência (sério, eu uso isso em conversas =D) Mas tbm foi só algo que durou um milionésimo de segundo, principalmente se levar em conta que eu me deparei, na outra linha, com os melhores versos do poema toda (na minha opnião):
    “Morte:
    Aceitas bem a tua sina,
    Não possui arrependimento?

    Homem:
    O único que eu tinha
    Era de não aceitar este momento!”
    Só uma coisa: invejável.

    Mais uma vez, parabéns (: E obrigado pela visita lá, e pela ajuda também. Confesso que perdi o hábito de ler muita poesia, infelizmeente, por falta de tempo. O meu maior ‘momento’ de leitor poético foi no terceiro ano, quando eu podia passar o tempo lendo Vinícius de Morais (sim, eu gosto dele) e não ficar com peso na consciência depois – principalmente nas avaliações de literatura. Ai veio o vestibular, a faculdade e outras coisas pequenas que me deixaram mais afastado. Ai voltei agora, e confesso – sem querer pagar de puxa-saco – que ler suas obras me instiga a voltar a ler, estudar, analisar e compor. Ah, eu queria uma opinião sua em um texto meu, se possivel, é uma prosa poética (“O Dia em que a Felicidade Ganhou Asas e Foi-se Embora”) Ela foi criada pra ser recitada na abertura de um Sarau, e eu não editei a criação original (que foi a que eu recitei), então algumas partes podem não fazer sentido (principalmente as que eu tinha que fazer alguns movimentos pequenos). De qualquer maneira, se poder dar sua opinião, ficarei agrádicido sô ;D Parabéns, mais uma vez (y)

    Ah, como disse, se não estiver “entendível” o texto, me fale, eu crio vergonha na cara e edito.

  42. Gostei sinceramente.
    Gostaria de postar algo seu em meu blog recem criado linkando para aqui. VC dá autorização e mais alguma ideia?

  43. Queridos amigos avassaladores…
    As poesias, prosas e imagens são belos… mas porque tanto sobre morte?

  44. um diálogo interessante só faltou um jogo de xadrez para a lembrança ser maio do filme berman. Sétimo Selo

  45. Macabro heim? mas como sempre muito bem escrito

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