Poema: Moribundo

“-Quem vem lá?
Trotando pesado como um peito enfurecido!
-Quem vem lá?
Trazendo um manto feito de pus e chagas!
-Quem vem lá?
Trazendo horror ao coração palpitante!”

O Peregrino apenas conseguia ver mais uma das raras chances de sua existência. Como um mito antigo, sem saber a origem ou a forma, mas que continua viva através das crendices da humanidade, sabia o peregrino que seria capaz de testemunhar tal acontecimento sublime e sempre surpreendente: A hora da morte de um poeta.

Era como uma grande peça, onde o poeta (dramaturgo,  ator e platéia) fizesse uma peça trágica, digna de Macbeth de Shakespeare! Nessa peça o Poeta sente cada ato e palavra, e no final, ele alcança a vera morte.

O fascínio do peregrino por tais seres, que embora humanos, tinham a percepção divina na Terra, era que cada morteera única, e nunca monótonas! os poetas eram como profetas malditos, que escreviam até mesmo o próprio nome no livro negro do destino.

Nessa noite, o Peregrino seguiu um desses poetas, que recitava seus últimos versos carnais:

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Moribundo

Os ventos cavalgam de forma sombria
Trazendo agonia nas selas escuras,
E como uma turba descontrolada
Eles dão gargalhadas nas trevas impuras.

Fantasmas medonhos da natureza,
Da cena dantesca que anuncia a vinda
Da musa vil que inspira o tormento
E a todo o momento se alimenta de vida.

Rainha da noite! Mãe dos poetas!
Que ao peito encerra nossa esperança
De caminhar em direção a velhice
Ditoso ou triste, em miséria ou bonança.

Morreremos sim na mocidade!
Na flor da idade ela vem nos buscar,
Nos chama do escuro com musica doce
A fim do açoite o abraço nos dar.

Que miséria meu Deus! Tal musa vil
Me leva ao covil onde dormem as caveiras!
A terra gelada de ar abafado
Com um leito talhado em escura madeira!

Trajando gravata e um terno soturno
Tal como um defunto olhando o luar,
E os vermes sedentos que anseiam meus ossos
Terão meus destroços em belo manjar.

Leonardo Dognani
01/04/2009

~ por Leonardo Dognani em Maio 25, 2009.

35 Respostas to “Poema: Moribundo”

  1. Me amarrei nos teus textos. Já assinei o feed. De alguma forma, também andei pensando sobre a morte de um escritor.

    um abraço

  2. Olá, não recebi nenhum e-mail não, depois me manda que quero te colocar no mailing de poesia que faço. Este mês é o Bruno Tolentino e, pelo que vejo aqui, se você não o leu muito, vai gostar.
    Abraços
    Pedro Lago

  3. Sopor combina com tudo que é obscuro…chega a dar medo O.o

  4. O que me prendeu foi o início. Nada como estar preso a um texto desde o início. Muito bom, Leonardo!

  5. muito bons poemas.
    parabéns.
    continue nessa linha.
    um abraço.

  6. Obrigada por passar no meu Gothicbox e comentar. Belo blog, com belos poemas. Quer trocar links de alguma forma? bjs

  7. Pois é eu to sumida mesmoa…ando de saco cheio da internet pra falar a verdade, mas faz parte né uhauhahuahua eu to sempre na internet a noite e saio na base das 11:00h. pro aê hehehehehe. Eu não mencionei mas a intenção em relação a época e cenário era que parecesse um misto de ‘epoca de repressão’ + ‘atualidade’ e o fato do carinha se chamar Jesus, é apenas para retirar deste nome, uma ideia de santo já que todas as pessoas que recebem este nome, não necessariamente são pessoas boas…hehehehe…na verdade eu queria corromepr um pouco o Jesus que conhecemos hoje. Huahuahhua. Obrigada pela força lá no blog ^^

  8. Nossa, muito bom. Meus parabéns. Continue assim, rs.

  9. Nossa, meio sinistro, não?
    Mas não entendi uma parte, o peregrino tinha fascinio pelos seres humanos em geral, ou apenas pelos poetas?
    Sobre o poema acima, SENSACIONAL!

    Abraços.

  10. Oi Vinicius,

    O Peregrino possui fascínio pelos poetas, as criaturas despertas e mortais.

    abs

  11. opa opa…andou meio sumido heim meu amigo?
    Ótimo texto como sempre

  12. Aff essa foto me assustou.
    Vc escreve muito bem!

  13. ESCREVE BEM..MAS NAO GOSTO DESSAS COISAS GÓTICAS/DARK,,,MELANCÓLICAS EM GERAL…

  14. Tudo muito mórbido, porém vendo pelo lado artístico a gente acaba vendo beleza. Parabéns pelo blog. Muito interessante!!

    bjinhos

  15. ah vida é taooo frágil!

  16. Que blog LINDO. Sério, sério sério sério. Dei uma olhada rápida no blog, no histórico, rápida em tudo, e ja fiquei admirado. Mas, bom, era só uma leve impressão, ai eu li esse post e, cara, lindo, simplesmente lindo. Dentre os vários aspectos, como a atmosfera, o enredo e a “história” por tras do poema (que, caso eu nao tenha imaginado nada, dá sentido ao blog) o que vou lhe tirar o chapéu aqui é para as rimas internas (algo que eu acho lindo, e admiravel em quem sabe fazer bem).
    “Que miséria meu Deus! Tal musa vil
    Me leva ao covil onde dormem as caveiras!
    A terra gelada de ar abafado
    Com um leito talhado em escura madeira!”
    Você ja está nos meus links, e, sem sombra de duvidas, passarei aqui de novo, e de novo. Não digo que tenho vergonha, mas sinto que suas obras são bem mais “evoluidas” e “maduras” que as minhas… O que me fez gostar ainda mais (e que é bom, porque assim tentarei ainda mais melhorar). Parabens pelo ótimo blog.

  17. “Floresta de concreto” Juro que pensei que era um blog de um cara que mora em sampa e que fica falando de sua cidade a cada postagem. Enfim.

    Quanto ao post: CARA VOCÊ É FODA! Me lembrou muito Augusto dos Anjos. Vou add seu blog aos meus favoritos pois esses poemas são dignos de serem lidos em voz alta.

  18. Você escreve muito bem, parabéns!
    este trecho e fascinou:
    “Morreremos sim na mocidade!
    Na flor da idade ela vem nos buscar,
    Nos chama do escuro com musica doce
    A fim do açoite o abraço nos dar.”

    Mais uma vez, parabéns.
    Beijo, Mary.

  19. que doidera haha, parabéns pelo blog bem dahora, os textos são seus?

  20. sinistro!

  21. Impecável! Linguagem, alcance, poesia!!! Lindo

  22. Não é todo dia que a gente encontra blogs com esse visual, faz tempo que não via imagens assim, adoro esse estilo, os textos… báa muito bom mesmo, ótimo =D

    Abraço

  23. (Jogando verde? Não, podre mesmo.) Eu me pergunto se ele leu o meu cometário no outro post. xD

  24. Morte, trevas, a outra face da vida que completa a arte, aqui em poesia! “a morte é sempre unica”, a poesia tambem, belo trabalho!
    beijo

  25. Poemas bastantes obscuros, bem autenticos. Gostei daqui!

  26. mostra um pouco que a morte pode ser uma boa passagem para outro mundo

  27. que macabro ;d

  28. lembrei daquela musica do titas “se eles querem meu sangue terao o meu sangue so no fim” e tambem daquela da cassia eller em que eles comem a cabeça dfo eu-lirico.

  29. Estou encantada e assutada com seus poemas,esses sentimentos sao primordiais para o seu sucesso. parabens!!

    beijos bom fds!

  30. Foi foi foi sim =D
    Estou colocando, aos poucos, meus dotes de produtor/editor áudio-visual (com os quais pretendo ganhar sustento, feliz da vida, enquanto escrevo) em prática. E estou esperando atualizações suas, o bom é que eu tenho bstante coisa pra ir lendo até você aparecer com algo novo. (Ja indiquei seu blog demais)

  31. Queridos amigos avassaladores… mais do que a poesia… as imagens escolhidas traduzem uma angustia alem das letras!

  32. Vida inteligente na internet! Talento que a gente pode escolher! Eu escolhi seguir seu blog, parabéns!

    http://www.diariodocliente.blogspot.com

  33. caraca profundo hein velho…
    é de sua autoria ?
    poeta mórbido?

  34. sinto uma pequena esperança tentando não morrer afogada no meio do tédio coberto de frio

  35. Seus poemas sempre profundos e tocantes

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